Nos passos do campeão

Integrante da rota internacional do tênis, Londrina vai ganhar mais uma atração da modalidade a partir de março. A cidade, que já é sede de uma das etapas do circuito mundial juvenil, foi escolhida para receber a segunda franquia da Escolinha Guga, criada pelo ex-tenista Gustavo Kuerten.

A escola já existe há alguns anos, com dez unidades espalhadas pelo Brasil, mas somente a partir de 2013 passou a utilizar o sistema de franquias. A primeira delas foi inaugurada em Salvador, no mês passado. Em Londrina, a Escolinha Guga vai funcionar em parceria com a Tebet e Danelon, dos empresários Marcelo Tebet e José Guilherme Danelon, tradicional formadora de tenistas na região, e que já enviou 31 atletas aos Estados Unidos para jogar o circuito universitário americano, um dos mais fortes do mundo, em um trabalho pioneiro, que começou em 1989.

Danelon, que também é um dos vice-presidentes da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), e amigo pessoal do irmão de Guga, Rafael, conta que as tratativas para trazer a escolinha para Londrina começaram há um ano. "Depois de muito namoro, o casamento deu certo e estamos muito empolgados. Londrina é uma referência e a gente quer que cada vez mais estejamos na vanguarda. É um passo importante para todos os envolvidos, por ser um trabalho pioneiro", destaca.

As aulas na sede da nova unidade, no Londrina Country Club, só começam após o Carnaval, no dia 6 de março, mas desde a última sexta-feira os técnicos passam por uma capacitação com o diretor da franquia, Antonio Hammes. Nas atividades, que se encerram hoje, os treinadores tiveram o primeiro contato com a metodologia de ensino da escola que leva o nome do ex-número 1 do mundo.

Hammes explica que a forma de trabalhar é baseada nos conceitos criados pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e já executados em vários lugares do mundo. O formato é totalmente adaptado à faixa etária e compreende aulas com foco lúdico e material todo adaptado, como raquetes menores, bolas mais leves, coloridas e com menor pressão, além das quadras que são menores em relação ao tamanho tradicional usado em categorias maiores. "Todas as aulas têm uma estrutura e são planejadas. O fechamento é sempre um desafio de casa. A ideia é tornar o aluno protagonista da aula, ele aprender fazendo, na prática", resume o diretor.

Danelon acrescenta que o trabalho vai além do esporte. "O foco é a formação do tenista e do cidadão, tem caráter de escola e vai além do tênis. O tênis é uma ferramenta para preparar a criança para o esporte e também para a vida".

Em Londrina, a Escolinha Guga vai trabalhar em conjunto com a Tebet e Danelon, com a primeira trabalhando a base entre os 5 e 10 anos e a segunda ficando responsável pela sequência da formação do tenista. "Uma vai fazer a transição para a outra. Vamos continuar com o trabalho de alto rendimento, mas dedicaremos grande parte da nossa atenção para a formação de matéria-prima", explica Danelon. A escola já possui 40 alunos com idade entre 5 e 10 anos matriculados e a meta é triplicar este número.

Para o londrinense, a fórmula adotada pela Escolinha Guga pode indicar um novo cenário para o tênis nacional a longo prazo. "A gente que acompanha tênis há muito tempo, observa que falta material humano. Quando chega aqui um menino de 12, 13 anos, temos que fazer um trabalho de formação que já deveria ter sido feito antes. Perdeu-se o tempo essencial de fazer esse trabalho. E a gente acredita que esse projeto é a saída, ele vai ser um divisor de águas para o tênis brasileiro, para a tão falada massificação da modalidade, que o Brasil precisa", aposta Danelon.

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